04Ago

O ser humano sempre tentou adivinhar o futuro. Desde as primeiras civilizações, as funções sociais relacionadas à previsão do futuro foram valorizadas. Algumas dessas previsões eram somente fruto de especulação, e emitidas de forma casuística ou ambivalente (um grande reino cairá, dizia a Pitonisa do Templo de Apolo); outras eram fruto de conhecimento acumulado (as cheias do rio Nilo permitiam aos sacerdotes egípcios anteciparem como seriam as colheitas). Todavia, em todas essas previsões o ser humano não se via como peça fundamental para alterar o futuro. A postura era somente de alguém que espera um futuro predeterminado que, no máximo, poderá se preparar para enfrentá-lo. Segundo Bernstein, essa passividade somente começou a mudar com o conhecimento dos princípios da probabilidade e o domínio do risco em meados do século XVII. É curioso observar que as civilizações ocidentais que produziram a filosofia grega e a engenharia romana, não tenham conseguido desenvolver o conceito de risco. O ponto central, contudo, é um conceito abstrato que todas as crianças em idade escolar conhecem hoje em dia, mas que, naquela época, era desconhecido: o conceito do zero.

O zero é um conceito abstrato, da não existência. Contudo, é com base no zero que podemos definir perdas e ganhos. É a noção do zero, uma referência absoluta, que nos permite comparar resultados e tomar decisões. É a noção do zero que nos permite valorar a construção do futuro.

A construção do futuro, após a definição do “quem somos”, inicia-se com a constatação de dois pontos: “onde estamos” e “para onde estamos indo”. Estes dois pontos de referência são o diagnóstico do presente e a expectativa a respeito do futuro, respectivamente. Devemos definir ainda outra referência que é o “para onde queremos ir”. Com base nessas três referências será possível construir o futuro, e definir o foco: “para onde vamos”.

A análise prospectiva, construção de cenários prospectivos, e a aplicação dos conceitos de Teoria dos Jogos, pode ajudar você a construir o seu futuro. Cenários prospectivos, sempre é bom lembrar, não são predições de futuro. Cenários não são ferramentas para predizer o futuro, e sim ferramentas de auxílio à tomada de decisão estratégica. Não é possível garantir qual cenário irá ocorrer, existem apenas probabilidades de ocorrência. A estratégia de construção de futuro passa pela seleção de um cenário como alvo, pela seleção das diversas alternativas de atuação e pela seleção dos atores chaves que podem ser parceiros na construção deste futuro.

O seu futuro, o nosso futuro, o futuro de nossa empresa, do nosso país, do nosso planeta, está sendo construído neste exato momento. Se você e a sua organização não participam da construção do futuro, saiba que ele será construído por outras pessoas.

 

Raul José dos Santos Grumbach é Diretor Presidente da Brainstorming Consultoria